Uma História Chamada Realidade
Vivemos num país de extremos, desigualdade é o nosso sobrenome. Mas bem no fundo, e nem precisa ir tão fundo assim, a população, a mídia e o governo, não parecem estar tão preocupados com isso. Só que a verdade está lá fora, e a realidade continua sendo nua e crua. Não importa quantas copas do mundo nós ganhamos, ainda temos gente morrendo de fome. Em nosso paraíso verde e amarelo, 1% dos mais ricos, detém o mesmo percentual econômico que 50% dos mais pobres.
Enquanto nossos olhos são ofuscados pelo circo midiático em torno de escândalos políticos e partidários, o pesadelo continua para quem não tem onde morar, o que comer ou vestir. Uma prova básica e simples de algo chamado má vontade, é que estatísticamente falando, para erradicar a pobreza no Brasil, seriam necessários somente 5% da renda do país; tirem suas próprias conclusões. A renda de uma pessoa rica em nosso país, é em média, 30 vezes maior do que a de uma pessoa pobre. Não é de meu agrado fazer comparações com outros países, pois cada país possui sua realidade e querer compará-los é no mínimo ignorância, para não dizer idiotisse. Sobretudo, é inevitável mencionar que na Suécia, a diferença entre ricos e pobres é de 6 vezes; nos Estados Unidos, onde a desigualdade é gigantesca, e em nosso vizinho, o Uruguai, a diferença entre ricos e pobres, em ambos, é em média de 10 vezes.
Sim, a pobreza está diminuindo e a desigualdade também, mas não proporcionalmente. Da mesma forma que muitas pessoas estão deixando a linha da pobreza, alguns poucos estão enriquecendo ainda mais em cima delas. De 2004 a 2008, a desigualdade caiu 0,6%, enquanto a pobreza extrema decresceu 1,8%, e a pobreza absoluta, 3,1%. Os dados são positivos, mas continuam sendo injustos. O que peço encarecidamente, é que alguém por favor tente fazer alguma coisa, nem que seja simplesmente fazer um blog e mostrar que tudo está errado. Mas faça. Se acreditas no voto, vote consciente e cobre as promessas dos malditos candidatos sanguessugas; se acreditas que a democracia está nas ruas, organize protestos e vá a luta; até mesmo se acreditas simplesmente que as pessoas precisam se conscientizar, antes de qualquer coisa, então divulgue informação, bote a boca no trombone.
- MAS POR FAVOR, FAÇAM ALGUMA COISA!
(Todas as estatísticas tem como fonte o IPEA – http://www.ipea.gov.br/portal/)
por Pedro Guilherme Ramos, 02/09/2010.
Peço que que assistam também o curta-metragem “Ilha das Flores”, é essencial para complementar este texto:
Olá!
Interessante o seu post.
O problema básico do Brasil é que não houve por aqui o cultivo de valores que possibilitassem a criação de instituições capazes de evitar que essa triste realidade se abatesse sobre o país.
Dê uma passada rápida de vista em alguma lista com os países mais desenvolvidos do globo e você verá que são países que puderam construir instituições desse tipo. O traço básico comum entre essas nações civilizadas é o fato de todas elas, em diferentes épocas e escalas, terem vivido e absorvido valores liberais (liberal no sentido iluminista do termo) e as próprias instituições, que tais países criaram para possibilitar que atingissem um alto grau de desenvolvimento, também foram criadas tendo como pilares os valores do liberalismo.
A Europa Ocidental e os Estados Unidos da América puderam viver e absorver valores liberais em dois eventos históricos importantes, respectivamente: O Iluminismo (Europa Ocidental) e a Revolução Americana de 1776.
Por exemplo, dê uma olhada neste post relacionando o índice de liberdade econômica e o IDH dos países ao redor do globo. Note que os países com os maiores índices de desenvolvimento — como Suécia, Suíça, Finlândia e Noruega — também são países com uma economica bastante liberalizada. Mais sobre liberdade econômica e sua relação com outras variáveis aqui.
Neste outro link, há um post sobre a relação entre a liberdade econômica e a desigualdade de renda medida pelo coeficiente de Gini (a leitura é bem simples). É interessante como esse fenômeno se repete: Os países menos desiguais também são aqueles que um elevado grau de liberdade econômica.
É importante destacar a liberdade econômica pelo fato de que é uma medida que dá uma idéia do grau de facilidade para que um país gere riquezas e riquezas são essenciais para, por exemplo, manter um sistema de educação de excelência, um sistema de saúde pública decente, segurança pública para os cidadãos e etc. Afinal de contas, de algum lugar devem vir os recursos que sustentam o sistema de assistência social dos países mais desenvolvidos. Recursos não caem do céu e nem dão em árvores.
Até!
Marcelo