OuTrEm AqUéM DENUNCIA – Hospital Nega Pacientes!
No Brasil a situação do aborto é um tanto quanto confusa, estamos num meio termo. Segundo a legislação brasileira, o aborto é permitido se feito por um médico em determinadas condições, como quando a vida da mãe corre rico e em casos de estupro. Os casos são analisados pelo juíz e este então decreta se deve ou não proceder-se com o aborto. Mas e quando o hospital se nega a cumprir uma ordem judicial?
Nós do OuTrEm AqUéM estamos atônitos com o Hospital Marieta Konder Bornhausen de Itajaí, SC. O hospital atende pelo SUS e é responsável pelo atendimento de vários municípios da região, um atendimento muito bem feito diga-se de passagem, tendo em vista as condições dadas pelo SUS. Sendo um hospital católico, é regido por freiras e estas tem pleno poder para as decisões, inclusivea a de negar pacientes. Sim, elas rejeitam o paciente que bem entenderem.
A grande preocupação de nossa parte é com as mulheres grávidas que necessitam por algum motivo de um aborto. Mesmo que a gravidez ponha sua vida em risco e seja decretado o aborto através de uma ordem judicial, as freiras se negam a receber a paciente. Até entendemos sim, quais são as leis de deus, mas lamento informar para as tais freiras que o estado brasileiro é lacico, ou seja, não pode haver qualquer interferência religiosa em assuntos públicos. O Marieta é um hospital público, atende pelo SUS e é inadimissível qualquer rejeição a uma ordem judicial e a vida de um paciente, devido a algum dogma religioso.
Recentemente tivemos a triste notícia de uma mulher que necessitou de um aborto, pois o bebê não possui um cérebro formado, tem vários órgãos com má formação e não sobreviveria mais que uma hora após o parto. O grande problema é que o feto não chegará aos 9 meses para ter um parto, pois devido a sua necessidade mais nutrientes a mãe ficou fraca e está sofrendo de pré-enclampsia, correndo risco de morte. Sendo assim, o juíz decretou uma ordem judicial para que se procedesse com o aborto.
O Hospital Marieta Konder Bornhausen possui a estrutura e o remédio certo para o aborto, porém mesmo com a ordem judicial, se negam a os fornecer ou até mesmo a aceitar a internação da mãe enquanto o coração do feto estiver batendo. Não se deram nem ao trabalho de fazer uma ficha para a paciente, que teve de ser internada em um hospital de outra cidade, que não possui a estrutura, nem o remédio certo para proceder com o aborto.
Enquanto o circo rola, a mãe corre risco de morte. As freiras precisavam escolher entre a vida da mãe ou a morte dos dois, escolheram infelizmente pela segunda opção. Desacatar uma ordem judicial e negar pacientes são crimes previstos em lei. Só nos resta torcer para que tudo se resolva o mais rápido possível e essa mãe consiga passar por esta enorme turbulência, mesmo tendo que enfrentar a ingnorância humana de forma tão brutal.
Esta notícia nos faz imaginar quantas mãe já passaram pela mesma situação e foram simplesmente barradas, jogadas à sua própria sorte. Porém, nós do OuTrEm AqUéM sentimos que um dia vai haver uma mãe sem medo de se expor, que levará o caso à midia e irá processar as responsáveis pela negligência. Neste dia quem sabe, veremos a justiça ser feita.
Para evitar que nos coloquem no porta-malas de um sedan e desovem no mato, já deixamos bem claro, como diziam os Inocentes, na música “Miséria e Fome”: “Não estou culpando ninguém, não estou acusando ninguém, apenas conto o que eu ví, apenas conto o que eu sentí.
por todas as pessoas que já sofreram e ainda vão sofrer com a pior arma do mundo, a ignorância humana. 15/10/2009.