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Arquivo para a categoria ‘Poemas’

Vigiados

Controlados, carimbados
Assinados, condenados
Ordenados em fileiras
E assim manipulados

Incluídos, excluídos
Colocados, retirados
Etiquetas e carimbos
Para ser classificados

Compromissos e horários
Avisos, proibição
Relógios e calendários
Ou placas de contra-mão

Concebidos, programados
Usurpados, descartados
Todo dia, toda hora
Todo instante, vigiados

por Pedro Guilherme Ramos, 09/09/2009.

CategoriasFilosofia, Poemas

Amaldiçoados

Eu sei que nada pode ser explicado

O que se explica na verdade tem que ser contestado

E se a verdade então existe, na verdade é mentira

Mas mentira que se preze, até parece verdade

 

 

O mundo gira e dá voltas bem na nossa cabeça

E quando a gente então percebe, já viramos a presa

Aí então nos perguntamos se não dá pra explicar

E logo vem aquela mentira que parece verdade

 

 

Acreditar não é a questão que envolve a parada

É preciso muito mais pra matar a charada

E descobrir que na verdade a vida não tem sentido

Que afinal somos a espécie que só dá prejuízo

 

 

O ecossistema agradece a cada humano que morre

Vira adubo, vai pra terra, não polui, nem destrói

Pensar não é uma benção, é uma maldição

E a natureza se arrepende de tal evolução

 

por Pedro Guilherme Ramos, 04/09/2009

Ode ao Burguês

Eu insulto o burguês! O burguês-níquel
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
(…)
“— Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
— Um colar… — Conto e quinhentos!!!
Más nós morremos de fome!”
(…)
Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! Oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados
(…)
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Fora! Fu! Fora o bom burguês!…

Autor: Mario de Andrade

CategoriasPoemas

Muita Cracia pra pouca Demo

Todos sabemos que a “democracia” nunca foi realmente uma “democracia”. Afinal, “demo” significa “povo” e “cracia” vem de “poder”, logo, “poder do povo”. Agora lhes pergunto, alguém aí já teve realmente poder direto em uma escolha de nosso (será nosso mesmo?) país? Nunca… Sobretudo porque a tal democracia que funciona hoje em dia é a chamada “democracia representativa”. Hahaha… Faz-me rir, se alguém “representa” o povo e escolhe as coisas por nós, então já não é mais o poder do POVO que vale, e sim o de quem toma as decisões pelas pessoas.


A democracia está longe de ser o “poder do povo”, muito longe. Democracia é um sistema onde empenhe a decisão da maioria do povo, pois um sistema onde há menos da metade (em nosso caso muito menos) da população tomando decisões por toda ela, é na verdade uma ARISTOCRACIA! É isso que é a “democracia representativa”, é nisso que vivemos, numa ARISTOCRACIA BURGUESA!


Não há mais como escondermos que em nossa sociedade, há muito poder concentrado nas mãos de pouca gente. É extremamente fácil ver que há “muita cracia, pra pouca demo”.

por Pedro Guilherme Ramos

CategoriasPoemas

Perguntas de Um Operariado Letrado

Quem construiu a Tebas das Sete Portas?
Nos livros constam nomes de reis.
Foram eles que carregaram as rochas?
E a Babilônia destruída tantas vezes?
Quem a reconstruiu de novo, de novo e de novo?
Quais as casas de Lima dourada abrigavam os pedreiros?
Na noite em que se terminou a muralha da China para onde foram os operários da construção?
A eterna Roma está cheia de arcos de triunfo.
Quem os construiu?
Sobre quem triunfavam os césares?
A tão decantada Bizâncio era feita só de palácios?
Mesmo na legendária Atlântida os moribundos chamavam pelos seus escravos na noite em que o mar os engolia.
O jovem Alexandre conquistou a índia.
Ele sozinho?
César bateu os gauleses.
Não tinha ao menos um cozinheiro consigo?
Quando a “Invencível Armada” naufragou, dizem que Felipe
[da Espanha chorou
Só ele chorou?
Frederico II ganhou a guerra dos Sete Anos.
Quem mais ganhou a guerra?
Cada página uma vitória.
Quem preparava os banquetes da vitória?
De dez em dez anos um grande homem.
Quem paga as suas despesas?
Tantas histórias.
Tantas perguntas.

Autor: Bertold Brechet

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