Nova Carteira de Identidade: Um Paradóxo Conspiratório
A esta altura do campeonato, todos já devem estar sabendo sobre a nova identidade dos brasileiros (para os menos informados, segue aqui um vídeo sobre a mesma). Um único cartão contendo 1 ou 2 chips que concentrarão todas as informações e documentos do cidadão. A RIC, como é chamada, poderá controlar desde a passagem por uma catraca, até a troca de informações com a Receita Federal. Em primeira instância o documento parece ser uma inovação demsiadamente útil e interessante, afinal evitará muitos estelionatos, falsificações, e ajudará a reconhecer melhor os criminosos. Além disso, a RIC acabará, em tese, com os problemas relacionados a pessoas com nomes iguais, servindo para identificar melhor cada pessoa.
Até então está tudo muito bom, muito bonito, mas alguém já parou pra pensar nas consequências e nas portas que isto abre para o futuro? Para quem já viu os filmes recomendadíssimos Zeitgeist e Zeitgeist Addeddum sabe muito bem do que se trata. O filme relata, entre outras Teorias da Conspiração, a questão da Nova Ordem Mundial, e relacionada a isto, a implantação de chips de identificação nas pessoas, que em ultima instância, permitiriam até mesmo que estas fossem mortas pelo desligamento do chip. Pode parecer loucura, muito provavelmente seja de fato apenas uma teoria conspiratória, porém após o anúncio desta nova identidade está na hora de se parar pra pensar.
A nova identidade abre uma gigantesca gama de possibilidades para controle de massa, que possibilita ao governo ter acesso a todas as nossas ações (não que ainda não tenham, mas seria facilitado e mais útil para determinados fins). Para quem já leu Microfísica do Poder e/ou Vigiar e Punir, de Foucault, entende perfeitamente como são sucedidas as relações de poder na sociedade e sabe que a melhor forma de controlar uma população é vigiando-a, sem ela saber ou ter certeza de que está sendo vigiada.
Até então, esta teoria conspiratória se mostra correta, principalmente no tocante a aceitação desta forma de controle, as pessoas gostam, são convencidas de que será melhor (e de fato será em determinados pontos) e ficam cegas neste ponto. De certa forma as pessoas tem medo de contestar as inovações e o medo é certamente a maneira mais eficaz de gerir as relações de poder e hierarquia da sociedade. É preciso que todos abram os olhos para estas tais “inovações”, reflitam e pesquisem sobre quais as verdadeiras vantagens e desvantagens. Entretanto até que realmente aconteça, não necessáriamente da forma como é prevista, isto não passa de Teoria da Conspiração, e pelo visto todos ficarão de braços cruzados esperando mórbidamente colocarem um chip no seu cérebro. Afinal de contas, assim somos, dóceis e úteis; alguns não tão dóceis, outros não necessáriamente úteis, mas todos incrivelmente medrosos.
Dedico este texto a meu grande professor do ensino médio Carlos Henrique Pereira Barbosa, pelos 3 anos de consciência crítica por ele lecionados, que colaboraram para ser quem sou hoje.
por Pedro Guilherme Ramos, 25/11/2009.